sobre Alberto Wanderley

Olá! Meu nome é Alberto Wanderley, tenho 52 anos, sou neto de agricultor do semiárido nordestino e há 34 anos dedico-me ao desenvolvimento de atividades relacionadas à Agricultura Sustentável.

Essa história começou em 1984, quando meus pais decidiram iniciar atividades agrícolas em propriedade rural localizada no município de Santo Antônio do Descoberto, no entorno do DF.  A decisão de ingressar no meio rural foi tomada por um desejo da minha família de  atuar na Agricultura Natural, que é um dos pilares da filosofia de Mokiti Okada,  que seguimos desde 1975.  

Em 1987 participei de um estágio no Sítio Experimental da Fundação Mokiti Okada no Brasil, orientado pelo Eng. Agrônomo Paulo Massaki Oyama, coordenador deste projeto e pioneiro na Agricultura Natural no Brasil.  Após esse estágio começamos a produzir hortaliças e outros vegetais em nossa propriedade e em 1988 participamos como fundadores da primeira feira orgânica do Brasil central, a Feira da Associação de Agricultura Ecológica – AGE em Brasília-DF.

MINHA FORMAÇÃO ACADÊMICA

Foi natural a minha escolha pelo curso de Engenharia Agronômica, que cursei entre 1989-1994 na Universidade de Brasília-UnB. 

Durante minha formação fui influenciado pelo trabalho do Professor José Carlos Lira Fleury, conhecido como Caio Capim, que adaptou para os trópicos o manejo rotacionado de pastagens preconizado por André Voisin na França, na década de 1960.  Coordenei dois cursos de Manejo ecológico de pastagens realizado pelo saudoso professor Caio Capim e o considero uma grande inspiração em minha formação.

FUNDAÇÃO MOKITI OKADA

Entre 1991 e 2001 integrei o quadro técnico da Fundação Mokiti Okada, organização representante da filosofia de Agricultura Natural no Brasil, iniciando como estagiário até me tornar consultor técnico, após a conclusão de meu curso de agronomia. Neste período atuei na difusão do modelo de Agricultura Natural junto a produtores do DF e Goiás.  Foi nesta ocasião que conheci a biotecnologia do EM (Microorganismos Eficazes) criada pelo professor Teruo Higa (Univ. Ryukyus – Japão).  Os resultados obtidos com o EM foram surpreendentes e mostravam que era possível uma alta produtividade com manejo sustentável do solo.  

NORMATIVA DE ORGÂNICOS E CERTIFICADORA ORGÂNICA

Nos 10 anos em que atuei junto a Fundação Mokiti Okada tive a oportunidade de atuar como colaborador junto ao ministério da Agricultura – MAPA na organização da Instrução Normativa 007/ maio de 1999, primeiro marco legal de orgânicos do governo brasileiro. 

Também no âmbito da Fundação Mokiti Okada, entre os anos de 1999 e 2000 tive a oportunidade de atuar na estruturação e implantação da Certificadora Mokiti Okada – CMO em conjunto com personalidades renomadas da agricultura sustentável no Brasil, entre eles a professora Ana Maria Primavesi e o professor Hafime Tokeshi (ambos consultores à época da Fundação Mokiti Okada no Brasil) 

MANEJO BIOLÓGICO DO SOLO

Dentro da universidade desenvolvi tamanho interesse pela pesquisa e inovação tecnológica que em 1997 fundei junto com meus familiares uma start-up incubada no CDT/UnB (Centro de Desenvolvimento Tecnológico) com a missão de desenvolver e ofertar tecnologias limpas de nutrição vegetal e animal – a Ithec Biotecnologia Agrícola.

Como principal projeto da IThec, desenvolvi uma linha de inoculantes biológicos para solo e aceleradores de compostagem e fertilizantes orgânicos –  Bionutri e Nutriplanta. Esta linha de produtos foi desenvolvida a partir da tecnologia Nutri-Humus, inoculante biológico baseado em cepas de microorganismos para degradação da matéria orgânica.

A Tecnologia Nutri-Húmus foi criada pelo notável professor Mário Nogueira de Oliveira, que conheci em vida aos 95 anos, cujo propósito era de acabar com a fome do mundo por meio de um modelo de agricultura independente da cadeia do petróleo.  Cabe ressaltar que o professor Mário Nogueira foi um dos sócios fundadores da Indústria Solorrico de fertilizantes químicos, vendeu sua posição acionária para fundar a Adubos Orgânicos Nutri-Húmus depois que conheceu os efeitos danosos dos fertilizantes químicos ainda na década de 1950, quando seu uso se iniciava no Brasil.

No âmbito da Ithec elaborei e submeti o projeto Desenvolvimento de Protocolo de Produção de Frango no Sistema Orgânico junto ao programa RHAE/CNPq, no ano de 2003

Este projeto propôs o desenvolvimento da tecnologia de cultivo de grãos no sistema orgânico utilizando o manejo biológico do Solo e ainda o desenvolvimento de probióticos para viabilizar a nutrição e sanidade das aves.

Para tanto foi estruturada uma parceria tecnológica entre A Ithec Biotecnologia e a EMBRAPA Cerrados, representada pelo pesquisador Wellington Pereira de Araujo, e como resultado foram publicados diversos trabalhos científicos que tratam sobre o cultivo de feijão, milho e soja no sistema orgânico de cultivo, onde obtivemos produtividade semelhante ao cultivo convencional dessas culturas à época.

CONSULTORIA

Ao longo de minha trajetória tive a oportunidade de prestar consultoria para diversos projetos de produção orgânicas.  Dentre eles destacam-se:

Em 2004: implantação de 50 ha de cana de açúcar orgânica na Fazenda Brioso – Alexânia-GO onde obtivemos produtividades máximas que variaram entre 120 e 160 ton/ha de cana de açúcar orgânica no primeiro corte em cultivo realizado em área com histórico de baixa fertilidade (a média da safra é de 90 ton/ha)

Em 2006/7 implantamos 12 ha de cana de açúcar orgânica na Fazenda Nossa Senhora de Fátima, Alexânica-GO para produção de açúcar mascavo com produtividade superior a 100 ton/ha já no primeiro corte.

Neste mesmo ano foi realizado cultivo também no município de Alexânia de 20 ha de milho doce cultivar tropical para processamento na Indústria Brasfrigo SA (empresa líder do segmento de conservas de milho e ervilha no Brasil à época), localizada no município de Luziania-GO.

PIONEIRISMO NO VAREJO – MOÇA TERRA ORGÂNICOS

Em 1998 iniciamos produção de hortaliças no sistema orgânico de produção e sua oferta pioneira no mercado varejista de Brasília. Dois anos depois nasceu a empresa Moça Terra Alimentos Orgânicos que se destacou pela produção, processamento e oferta de vegetais in natura e saladas higienizadas para as principais redes de mercados varejistas de Brasília. Essa produção foi realizada na Fazenda Moça Terra – Planaltina/DF  até o ano de 2013.

ECONOMIA COLABORATIVA

Em 2012 iniciamos a estruturação de um modelo de negócio inovador que utiliza princípios de economia colaborativa e comércio justo.  A ideia foi utilizar a experiência adquirida, transferir para parceiros e ampliar a capacidade de produção e comercialização para diversos núcleos de produção no país.  Ao invés de uma propriedade e uma agroindústria, passamos a multiplicar este modelo para diversos agricultores parceiros.

A Moça Terra Economia Colaborativa atua de forma a conectar iniciativas de produção orgânica e desenvolvimento sustentável com os consumidores finais.

Inicialmente trabalhamos com frutas orgânicas in natura e atualmente contamos com algumas linhas de produtos processados. 

No ano de 2021 fundamos a Moça Terra Agro com o objetivo de levar as soluções tecnológicas desenvolvidas por mais de 3 décadas e ofertar a todos os agricultores. Como primeiro produto, a Moça Terra Agro lançou uma linha de ração orgânica para animais.

ATUAÇÃO NO GOVERNO FEDERAL

No período de 2011/14 atuei como consultor técnico do PNUD atuando como responsável da temática da Produção Agroecológica e Orgânica ligada a Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário -MDA, onde  atuei como representante  deste ministério na estruturação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). Esta política pública recebeu a premiação prata no Future Policy Award (“Prêmio de Políticas para o Futuro”), que em sua edição 2018, que premia as melhores políticas do mundo no apoio à ampliação de abordagens agroecológicas.

AGRICULTURA VIVA

Em mais de 30 anos de experiência com Agricultura Sustentável, e tendo a oportunidade de aprender com homens e mulheres notáveis ao longo desta caminhada, em 2021 motivei-me a compartilhar essas experiências a fim de inspirar e de conectar o SER AGRICULTOR com a sua missão de gerar e preservar a vida no planeta.

Daí nasceu a ideia da criação do AGRICULTURA VIVA, um blog que tem o objetivo  de contribuir com as bases para a agricultura do século XXI por meio da difusão de conhecimentos que visam dar autonomia ao agricultor para obterem maiores produtividades aliadas à conservação do meio-ambiente.

Ainda na década de 1940, Mokiti Okada disse que era possível produzir alimentos saudáveis para toda a população mundial com uma agricultura limpa, sem o uso de adubos nitrogenados ou agrotóxicos sintéticos. Foram essas as palavras que me inspiraram até aqui e a concretização desta afirmação é o que nos move a cada dia, em busca de uma agricultura integrada com a natureza, verdadeiramente sustentável, geradora de renda e prosperidade financeira para os agricultores e empresas agrícolas e que seja promotora da conservação dos solos, produtora de água e que potencialize nossos recursos naturais de forma permanente.